"E subitamente lembrei-me...estava sozinho! De nada adiantava gritar a não ser para gastar a voz e perdê-la. Pois para nada já esta servia...p'ra quê tê-la?" 
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Sunday, May 20, 2007
É uma vida com gelo, se faz favor.
Posted at 04:32 pm by Slow-Driver
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Sunday, April 22, 2007
Laura, encontrei-te. Amava-te antes de te conhecer e desejei que minha fosses sem saber que eras. Imaginava-te assim, como o outro te descreveu:
- a mesma graça das planícies
sem vento
- o
teu gesto inexistente
- teu cabelo que incendeia meus sonhos e ateia meus
desejos, donde emana um aroma que me paraliza e me hipnotiza
- teu busto confiante,
impressionante, altivo, como teu próprio ser. Laura, desejo-te. E sem seres Laura, dama minha és servo teu sou obedeço cego obedeço cego... Possuir-te quero. Amar-te, em espírito e corpo; porque teu corpo a isso inspira, fantasio mil aventuras na tua boca, tua boca mil desejos me desperta. O teu nome é outro. Eu também não sou o Outro. Se há quem aguente nesta vida andar sem ter, aos Céus e às Trevas garanto: embora de espírito te ame, teu corpo anseio corromper.
FL 22-04-2007
Posted at 11:01 am by Slow-Driver
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Sunday, December 24, 2006
Lisboa, Novembro de 2006 Tu: Não
sei como nem porque é que aconteceu. Coisas destas não são explicáveis
através de produtos terminados. São, antes, processos evolutivos,
condicionados às situações com que se deparam. E, assim, mudaste,
passaste de tu para Tu. É
preciso ter em conta cada uma das duas formas de tratamento: a que
foste, durante muito tempo, e a que és, actualmente. À partida, não são
formas conciliáveis, mas, creio que, analisando e reflectindo as
condições em que me surgem, estas também não serão, por si próprias,
mutuamente exclusivas. Como
te disse, foste durante muito tempo apenas tu. Como qualquer segunda
pessoa do singular isso teve a sua importância. A tua presença era
deveras mais relevante que uma você. Eras tu significantemente mais
importante que qualquer outra, dentro dos limites razoáveis que tal
deve ter. O teu ser sempre me contagiou muito. Esse estou aqui
que só tu sabes ter, mesmo que passe invisível e que surja indiferente
a muita gente (e, então, nem me deveria ter dado ao trabalho de o meter
em itálico), não me passa a mim, simplesmente pela razão de saber que
vale não só pelo que vale, mas que vale muito mais do que isso e, mesmo
tu, não consegues ver a dimensão desse valor. Eu consigo! E raios me
partam se não mando a minha pouca humildade para uma outra dimensão e
plano de existência só para dizer isso. Eu consigo! E,
assim, foi a partir dessa minha suburbana clarividência que tu foste
sofrendo uma evolução que culminou em Tu. Tudo o que foi uma
perspectiva amigável das várias situações e tendências que sobre ti
gravitavam, passou a ser uma vertente mais elevada, apenas presente em
certos momentos. És, sem dúvida, Tu. Ganhaste o teu lugar em mim sem
precisares de fazer grande esforço, acredita; apenas bastou seres tu e
o passar do tempo. Correndo o risco de transformar isto em algo linear,
como se de uma fórmula matemática se tratasse, devo dizer-te o
abstracto de sentimentos que é tudo isto que estou a viver. Não é,
portanto, concreto que isto não sofra um retrocesso, ou que eu próprio
não acorde deste sonho, mas sinto que tudo o que agora sinto é correcto
de ser sentido. Portanto, sinto-me bem. Apaixonado e tal. O
que é engraçado é que, ao mesmo tempo, nunca deixaste de ser tu, nem
quando se deu o tal processo de mudança de tu para Tu, nem quando te
assumiste como Tu por completo. Complicado? Nem por isso, digo eu.
Enquanto eras apenas tu – e este apenas nada tem de depreciativo, como
já deves ter reparado – todas as características que te faziam tu
valiam pelo facto de seres o que eras naquela altura. Ora, quando
mudaste para Tu essas características não desapareceram, aliás, apenas
se evidenciaram mais, segundo eu. Daí eu ter dito que, apesar de tu e
Tu serem conceitos diferentes, não se excluem, porque dentro de uma
pessoa como Tu existirá, para mim e para sempre, uma amiga como tu… Beijo, FL
Posted at 11:50 am by Slow-Driver
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"Quinta. Finalmente, Quinta chegou. A chuva parou, E, embora o sol não brilhe, Raios de luz vivem em mim. Quinta. Enfim, Quinta está aqui. Vi-te, Como todas as Quintas, E, Como todos os dias, desejei-te. Porque todos os dias te desejo, Mesmo só te vendo às Quintas. É este estranho dia da semana, Que não é o primeiro, Mas também não é o último, O meu dia Santo. Quinta é o meu Domingo. Assim sendo, Será Quarta o meu Sábado, Porque não faço nada Quarta, Que não seja pensar em ti. Portanto, as Terças são para levar nas calmas, Porque são as minhas Sextas, O meu último dia da semana de trabalho. Lançaste a confusão na minha vida. Pânico. Tenho a vida toda ao contrário e a culpa é tua. Apenas distingo as Quintas. São aqueles dias que te contemplo, Depois de um dia a pensar em ti, Dois dias depois de as tarefas acabarem. Quinta passou. Começa uma nova semana. Quinta é dia Santo. Nunca mais é Quarta! Que Quinta venha depressa!" FL
Posted at 11:42 am by Slow-Driver
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Friday, October 13, 2006
"De ruas ébrias A avenidas sóbrias, Bairro acima E loja em baixo. Telheiros do hábito E varandas de vícios, Circulam terrestres Em fatos de sacrifícios. Ah, portais d'outrora Palacetes intemporais Casas criadas e esquecidas, Em becos e praças, Mais seus quintais. Presença d'agora Em torres de vidros, Seus guardas, artifícios Passeios polidos. Bárbaras imagens Orgias de palavras soltas Ao esperançado intento de ter. Solta o monstro em quem Charretes leva Nem passo ou trote Impera o avanço Galope. Medo do Tejo A toda a brida, Assim se foge Assim se vida. Procuro Vendo Trespasso, Corpo velho Por alma nova.
Quero renascer imaterial No americano Nele ser eu, Sem nada meu.
Nem sons Nem luzes Cores Que valham Ao desassossego D'almas Que aqui vai."
FL 02-06-06
Posted at 09:40 pm by Slow-Driver
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Sunday, March 19, 2006
"Da janela do meu quarto Avisto o porto da minha cidade. Fica longe da minha casa Mas o olhar aproxima-o; E sinto o cheiro do peixe Debaixo do meu nariz, O barulho dos barcos e dos pescadores Parece que vem da minha cozinha. As varinas moram comigo. Tropeço constantemente em cabos Espalhados pela doca, o meu corredor. Vejo chegar ao porto Barcos, arrastões Navios, batelões Fragatas e couraçados. Ainda ontem via barcos a vapor E, há não muito tempo, Caravelas com especiarias de Umas Índias, Ouro de outras, Diamantes de África. As gaivotas vigiam e zelam Tomam conta desta casa, Lugar de embarque Lugar de desembarque, Onde há quem chegue a sorrir E quem parta a chorar. A ponte, entre o estar perto e Estar longe Seguro e inseguro. Tudo isto vejo, Da janela do meu quarto! Está longe, tudo e todos... Mas é como se comigo morassem." FL
Posted at 01:41 pm by Slow-Driver
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"Lugares exóticos deixam-me Com saudades de casa. Sítios longínquos mostram-me A ténue distância que vai desde o Meu ninho ao paraíso.
No entanto, não idealizo paisagens paradisíacas Nem tão pouco faço sonhos Com palmeiras ou vastas montanhas, Onde a natureza é virgem Mas se deita com qualquer um, Como puta de bordel, Por uns míseros trocos.
Não é pouco o meu lar. É o meu mundo e é nele Que me entrego ao meu mais Íntimo prazer: Explorar-me a alma, Essa ilha deserta..."
FL
Posted at 01:27 pm by Slow-Driver
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Tuesday, November 22, 2005
"Parem tudo o que estão a fazer. Cessem as vossas actividades já! Atenção que vão chegar Devagarinho e a pé coxinho, Mas vêm convictos e levarão o nosso espólio Atravessarão oceanos e montanhas. Cessem a inércia já de si cessante e corram! Peguem nas vossas coisas e combatam-nos. Armem-se, oh, armem-se muito: facas e pistolas, chicotes e forquilhas. Cessem e ordenem-se mesmo se desordenadamente. Urge a revolta e é hora de fogo. O arrojo que eles têm!! Mas não perdem por esperar. Não levarão a melhor. Nunca..." FL
Posted at 03:33 pm by Slow-Driver
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Monday, June 13, 2005
"menina bonita
de pele fina - singela
olhos rasgados
verde natureza
natural arrojo
de desfilar sensualidade.
amor muito espera pouca.
menina bonita
sonhos desfeitos
troça em si bemol,
dor em mi.
descaramento de poder
capacidade de magoar
é seu o desejo de matar,
de corações arrancar
e depois partir.
esperanças vãs
de alimento e desnutrição (primeiro - segundo).
choro por ti como por ninguém,
acredito em nós.
mas,
de 1 sonho
desperto aterrorizado,
não amas ninguém
e ris sem piedade.
assim fico,
caído em esperança
morto de certezas"
FL
PS: Até posso acreditar que não possas, mas nunca hei-de acreditar que realmente queiras.
És assim!
Posted at 04:17 pm by Slow-Driver
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Thursday, April 07, 2005
"Já percorri essa estrada Sei de onde parte Sei por onde passa Sei para onde vai [A ponte une o antes e o depois A ponte é como um limbo Entre céu e inferno] Mas já nem o céu se pode salvar Mas já nem o céu me pode salvar Estou perdido Nesta estrada que conheço. Já não me surpreende Mas temo-a Amedronta-me.
Sei de onde parte Sei por onde passa Sei para onde vai Mas não sei o que me espera lá....
Se céu Se inferno"
FL
Posted at 02:13 pm by Slow-Driver
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