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"E subitamente lembrei-me...estava sozinho! De nada adiantava gritar a não ser para gastar a voz e perdê-la. Pois para nada já esta servia...p'ra quê tê-la?"


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Wednesday, May 06, 2009
Pus-me de pé tentando ser alto

 

 

 

Pus-me de pé tentando ser alto.
Mais alto que aquela árvore de onde colhíamos a fruta no Verão.


Posted at 10:44 pm by Slow-Driver
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Tuesday, July 01, 2008
Pepitas nocturnas

"Bebo chá à meia-noite
E deixo a tília fazer efeito em mim.
Abandono-me em pensamentos.
Em sonhos, ultrapasso a vida pela direita,
Voando baixinho,
Vivendo devagarinho.

À uma da manhã bebo de mim
Uma tisana de emoções e contradições,
Canalizo-me para mim,
Fazendo-me crer que,
De resto,
Sou Também, não deixando de ser Apenas.

Depois das duas bebo-te a ti.
Saboreio.
Infusão em mim, impressão de si,
Arranco para um festival de realidades de mil e uma cores,
Atravesso o pântano,
Chego ao ninho,
E caio, fatigado,
Mesmo vencedor.
Deixo envolver-me em teu seio,
Em teus seios;
Arrasto-me para um canto no chão.
Entrego-me, no entanto, a um hedonismo intenso,
Próprio de quem se ama, próprio de quem ama,
Capítulo, versículo, parágrafo de prazer,
Folha rasgada e colchão a arder,
Antónimo, sinónimo e considerações linguísticas.

Pela noite fora te vou amando!
Adocico a minha vida contigo,
Meu açúcar...
Dou-lhe gosto contigo,
Meu diamante de sal...

Durmo
Durmo
Durmo

Acordo.
E tu estás a meu lado.
Ou podes não estar.

A noite já lá vai,
Mas,
Ainda durante o dia,
Sonho contigo...



Posted at 12:51 am by Slow-Driver
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Thursday, April 17, 2008
Algarve I

Na veje manêra de fegir...
Agarra-me o mar e a serra,
Prende-me o coração de sentir
O amor que tenhe pl'a minha terra.

Bate a saudade quando longe estou,
Veje-me visto, vêem-me e vendo ande,
Atente ao céu curtas passadas dou
Ao sol e à lua devagar vou caminhande.

Arrasta-me o corpe p'ra debaixe duma f'guêra
Batide p'la calmaria do verão,
O mínime de rôpa é a unica manêra
D'me sentir únique, feliz e são.


Posted at 08:03 pm by Slow-Driver
Comments (2)  

Wednesday, April 09, 2008
Xanax

Para onde vais?
Tu que bebes da vida
A sua essência mais pura.
Fica antes aqui,
Comigo,
Deitados na vida fácil,
Tapados por um ocioso edredão.
É um tapete encantado
Que nos leva longe,
Por cima das montanhas,
Sobre as ondas dos mares
E nos faz aterrar aqui,
Neste rochedo,
Pátio sobre o mundo,
Varandas sobre o conhecido,
Miradouro sobre o desconhecido.

Beijo o teu corpo nu
E desejo-te intensamente,
Vibro com o teu corpo
E estremeço com o teu toque.

Contigo a minha imaginação
Envolve-se e revolve,
Gira ao contrário
E realiza-se...

De novo no tapete mágico.
À volta do mundo.
Voamos...
Voamos...
Voamos...
E somos livres,
Deixamos as grilhetas da
Rotina da vida...

Façamos amor então!
Toquemo-nos
Abracemo-nos.
Vivamos agora,
Porque o amanhã é incerto!


Posted at 09:26 am by Slow-Driver
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Monday, November 19, 2007
Entalado

Aqui e ali.
Numa porta.
Na lama.
Entre pessoas.
Pelo trabalho.
Entre bancos num qualquer meio de transporte.
Nas rochas.
Nas rixas.
Atrás de um balcão.
Dentro de calças apertadas.
Num concerto.
Numa fila.
Pelo Mundo

Posted at 10:56 pm by Slow-Driver
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Monday, October 29, 2007
Entalado

Aqui e ali.
Numa porta.
Na lama.
Entre pessoas.
Pelo trabalho.
Entre bancos num qualquer meio de transporte.
Nas rochas.
Nas rixas.
Atras de um balcao.
Dentro de calcas apertadas.
Num concerto.
Numa fila.
Pelo Mundo...

Posted at 06:58 pm by Slow-Driver
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Do mesmo...

Do mesmo tempo
Ao mesmo tempo
Sem nenhum tempo
Chove: é o estado do tempo...

A ver a água chuva rala
Na fechada velha janela
Penso em duplas adjectivações
E em triplas fichas que facilitem a vida.

Continuamos iguais,
Sem tempo
Que o tempo escasseia,
Valioso que é.
Encontramos e falamos
Este e outro,
Telecomunicamos e falamos
Sem realmente nos entendermos.

Até que faria sentido não falarmos,
Se de tal não precisássemos para comunicarmos.
Até faria sentido não nos vermos,
Se de tal não precisássemos para nos entendermos.

O tempo avança
E nós sem ele.
Como uma velha torneira avariada,
Dias pingam languidamente,
E, desse mesmo modo,
Poças de meses vão sendo formadas,
Tanques de anos vão passando,
E, sem esperarmos,
Um oceano de vida corre para lado nenhum.

Falamos.
Tentamos, pelo menos...
Mas não nos entendemos.
Todos os dias.
Todos os dias, mais do mesmo...

Posted at 06:56 pm by Slow-Driver
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no penedo...

desta ponta, a ver o mar
neste penedo
recortado pelo tempo
ponto de romagem do vento,
deito os olhos ao horizonte
e juro que te vejo-

brilhante, radiante e apaixonada
suspeito que és tu que
vem naquela embarcação,
trazida por ondas e marés.

vem, vem.
vieste mais cedo,
voltaste com este vento,
viajaste através de mares,
vieste mais cedo,
voas no vento,
o mesmo que pára neste penedo.

e, da mesma estacionária forma
paraste.
e, da mesma forma que o vento abraça o penedo,
abraçaste-me e amaste-me
e,
neste penedo gasto e usado pelo tempo,
fizemos o nosso leito
e nele decidimos permanecer,
imóveis, sossegados e apaixonados.

rochas aqui seremos,
unidos aqui ficaremos,
para um sempre absolutamente relativo,
unidos entre nós,
unidos com este penedo
e abençoados por um vento
que nunca nos deixará
e por um tempo que nunca nos incluirá
na sua função,
pois o mundo pode girar,
mas não nós...
pelo menos, não enquanto estivermos neste penedo...


Posted at 06:55 pm by Slow-Driver
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Friday, July 13, 2007
Um sinal

"De noite ou de dia.
Todos os dias.
Todos te amam, Magda.

Espalhas magia por onde passas,
enfeitiçando as almas que por ti vão andando,
sorriso que rasgas,
charme que lanças,
perfume que emana.

De um trago,
o teu rosto, Magda;
suas linhas compostas em desconcerto de criação,
boca grossa de desejo profano de contornos salientes,
cabelo desalinhado penteado,
nariz e orelhas perfeitamente executadas
e o teu sinal Magda:
essa tua marca que te faz diferente em meus olhos,
que hiperboliza a tua sensualidade,
a tua sexualidade.

Apaixonei-me por esse teu traço, minha querida.
Olho-o e deixo-me levar.
Teu sinal faz-me viajar Magda.
Coordenada de várias outras
e sítios diferentes
aqui e ali,
de um lado para o outro.
Não sei para onde me levas, amor,
mas estou disposto a arriscar e ir.


[INCOMPLETO]

Posted at 11:10 am by Slow-Driver
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Thursday, June 14, 2007
Susana, um lago e a noite

Noite.
De pantufas e devagarinho,
    foi a meu lado caindo.
Pingou, serena,
    como chuva rala,
    mas, decidida, avançou.
Com ela,
    o teu rosto.
Nas minhas memórias gravitas
    astro celeste,
    fazendo teu caminho
    pelo negro vácuo imenso,
    onde residem as minhas ideias.

Noite.
Lado a lado estivemos.
Outras noites, outros caminhos,
    vivemos soltos, uivando à lua,
    nus nadando
    em lagos que nos molham a alma.
[A seguir vem uma frase feita tipo cliché! Não perca!]
Águas gélidas nos aquecem,
[Foi gira não foi?]
    minh'alma jamais esquecerá!
Vem comigo agora, Susana.
Retornemos ao que já fomos:
    ao que eu sonhei,
    ao que vivemos,
    ao que já passou.

FL



Posted at 11:01 am by Slow-Driver
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