"Bebo chá à meia-noite
E deixo a tília fazer efeito em mim.
Abandono-me em pensamentos.
Em sonhos, ultrapasso a vida pela direita,
Voando baixinho,
Vivendo devagarinho.
À uma da manhã bebo de mim
Uma tisana de emoções e contradições,
Canalizo-me para mim,
Fazendo-me crer que,
De resto,
Sou Também, não deixando de ser Apenas.
Depois das duas bebo-te a ti.
Saboreio.
Infusão em mim, impressão de si,
Arranco para um festival de realidades de mil e uma cores,
Atravesso o pântano,
Chego ao ninho,
E caio, fatigado,
Mesmo vencedor.
Deixo envolver-me em teu seio,
Em teus seios;
Arrasto-me para um canto no chão.
Entrego-me, no entanto, a um hedonismo intenso,
Próprio de quem se ama, próprio de quem ama,
Capítulo, versículo, parágrafo de prazer,
Folha rasgada e colchão a arder,
Antónimo, sinónimo e considerações linguísticas.
Pela noite fora te vou amando!
Adocico a minha vida contigo,
Meu açúcar...
Dou-lhe gosto contigo,
Meu diamante de sal...
Durmo
Durmo
Durmo
Acordo.
E tu estás a meu lado.
Ou podes não estar.
A noite já lá vai,
Mas,
Ainda durante o dia,
Sonho contigo...
Posted at 12:51 am by
Slow-Driver